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Série Tentações do Gelo · Livro 02

Jogando Contra as Consequências

Por Kely Medina

Kely Medina Jogando Contra as Consequências --:--

Capítulo Um

Cassie Queen

Thomas & Cassie

Largo a bolsa no sofá assim que entro em casa. Corro para o banheiro, a ansiedade tomando conta de mim. Estou segurando o xixi desde que saí do ateliê só para fazer um teste de gravidez de farmácia.

Sigo todas as instruções da embalagem com cuidado.

E, para tentar me acalmar, decido tomar um banho rápido. Depois, visto um pijama confortável.

Retorno ao banheiro, e continuo sem coragem de olhar para o teste que ficou em cima da bancada depois que o fiz.

Acabo saindo outra vez.

Começo a andar de um lado para o outro pelo quarto, procurando qualquer desculpa para adiar o temível momento.

Por que não esperar mais algumas horas?

Posso me sentar à escrivaninha, abrir o computador e fingir que nunca fiz esse teste de gravidez.

Minha cabeça dói.

Sinto como se estivesse em uma montanha-russa, presa no ponto mais alto, e incapaz de descer. Porque, se aquelas linhas aparecerem… minha vida pode nunca mais ser a mesma.

Eu engulo um longo suspiro de coragem e tento entrar no banheiro de novo.

Deslizo os olhos pela pia e encontro o potinho com o teste mergulhado na urina. Minhas mãos estão tremendo antes mesmo de tocá-lo.

Seguro a ponta rosa com uma das mãos e apoio a outra na pia, respirando cada vez com mais dificuldade. Meu coração parece pesar em meu peito, e um frio sobe pela minha coluna já rígida. Nervosismo e ansiedade disputam quem vai me engolir primeiro.

Viro o teste abruptamente.

E pronto.

Está lá.

As minhas consequências.

As consequências com as quais eu terei que lidar.

Largo o pequeno objeto com força dentro da pia. Tremo tanto que acho que vou desmaiar. Minha voz me abandonou, assim como toda a coordenação do meu corpo, então me vejo incapaz de soltar qualquer som ou fazer um movimento equilibrado. Minhas pernas e meus braços estão moles.

Realmente, acho que vou desmaiar de tão nervosa. A agonia começa a surgir, acompanhada de puro desespero.

Deus… Isso não pode estar acontecendo comigo.

Coloco uma das mãos na parede, tentando buscar apoio para o meu corpo instável. As palmas das mãos suam, começo a transpirar, e meu coração palpita dentro da caixa torácica.

Estico o braço outra vez e alcanço o teste, segurando a confirmação entre os meus dedos oscilantes.

Ter sido traída por Jhony foi um golpe devastador, mas descobrir que estou grávida dele é um golpe ainda maior, capaz de me deixar quebrada.

A primeira lágrima de muitas começa a escorrer pelo meu rosto quente.

Eu choro.

Choro porque não faço ideia do que fazer agora.

Estou sozinha nisso.

Estou com medo.

Estou me sentindo incapaz.

Olho para o espelho à minha frente, notando exatamente o que Popis me disse mais cedo. Eu estava tão cega para enxergar qualquer sinal. Sabia que havia alguma coisa errada com o meu corpo e empurrei até o meu limite.

As lágrimas borram minha visão.

Arrasto os pés até o quarto, procurando desesperadamente o meu celular. Preciso falar com alguém.

Meus dedos trêmulos percorrem a lista de contatos. O nome de Cora aparece. Aperto em "chamar", mas minha melhor amiga não atende.

Não tento novamente.

Nem sei o que diabos estou fazendo.

Ligo para Thomas. Ouço a chamada tocar duas vezes, até que um clique é seguido pela voz dele.

— Oi, linda.

Engulo o choro, mas um ruído escapa.

— Thom… — sopro, tentando respirar fundo e não me engasgar com o próprio choro.

— Você está chorando? O que houve?

Não digo nada.

Não consigo.

Só volto a chorar, ainda mais forte, olhando para o teste preso entre os meus dedos, que não param de tremer.

— Você está em casa?

Limpo o rosto com a manga do pijama.

— Sim… — Minha voz sai arrastada.

— Chego em dez minutos.

Ele apenas avisa, e a ligação é encerrada.

Obrigo o meu corpo e a minha mente a pensarem em algo. Preciso me acalmar.

Eu não sou essa mulher frágil. Vou superar isso. Vou encontrar uma maneira de lidar com tudo.

Com o teste ainda na mão, caminho até a cozinha. Minhas mãos permanecem trêmulas, mas, mesmo assim, preparo um copo de água com açúcar. Faço uma verdadeira bagunça sobre a bancada, porque nada do que tento fazer sai com coordenação.

Tomo um gole. Depois mais dois.

A vontade de chorar não vai embora. Ela só se arrasta ainda mais para dentro de mim, junto com todas as minhas inseguranças.

Como meus pais vão reagir?

O que será desse bebê?

Como ficará minha carreira?

Eu serei uma boa mãe? Como passarei por isso sozinha?

Eu queria poder dar um pai a ele, mas escolhi tão mal.

Esse novo cenário da minha vida me obriga a repensar todos os ângulos. Eu estava decidida a encontrar o Jhony para encerrar nossa história, e uma gravidez torna tudo ainda mais complexo.

A campainha toca antes que eu termine qualquer raciocínio.

Os dez minutos que Thomas prometeu nem devem ter passado, e eu não duvidaria nem um pouco que ele tivesse chegado antes.

Largo o copo sobre a bancada e me apresso para atender, digitando o código para destravar a porta.

Eu a abro e dou de cara com o homem que, até pouco tempo atrás, eu acreditava que seria meu marido.

Jhony.

É claro que minha noite pode piorar ainda mais.

Ele cheira a bebida. Os olhos estão escuros e frios, sem o menor resquício de um sorriso. Só há uma expressão em seu rosto e ela me causa angústia.

Tento fechar a porta na cara dele, e não consigo. Jhony é mais forte e a empurra de volta.

— Não é o momento para conversarmos. Vá embora. — Finco os pés no chão, tentando impedi-lo de entrar, mas é inútil.

— Você precisava sair por aí e me humilhar publicamente?

Não faço ideia do que ele está falando.

— Vai embora, Jhony, por favor — peço outra vez.

— Eu te liguei. Te mandei mensagens. Eu quis falar com você.

— E eu recusei. — Não consigo mais segurar a porta, e ele entra no apartamento. — Você esperava que eu te agradecesse por ter te visto me traindo?

— Você superou tão rápido. — Ele ri, com uma perversidade que me assusta.

— Claramente você está bêbado e raciocinando mal. Saia ou eu chamarei a polícia — ameaço, fazendo o possível para que minha voz transpareça firmeza.

Ele avança na minha direção. De imediato, dou alguns passos para trás, até alcançar a cozinha.

— Aquelas fotos estão em todos os sites.

— Fotos? — pergunto, sem entender do que está falando.

— Você e aquele jogador de hóquei playboy. Eu devia ter desconfiado há muito mais tempo…

Imagino que as fotos às quais ele está se referindo sejam as do evento em que Thomas e eu aparecemos juntos. Eu as vi. Não havia absolutamente nada demais nelas.

— Mesmo que isso não seja da sua conta, eu e Thomas não temos nada — informo. — Você me traiu e ousa me cobrar algo depois? Que homem merda você é…

Eu giro sobre os calcanhares para ficar atrás da ilha da cozinha.

— O que eu fiz foi errado, eu sei, mas posso consertar, eu posso melhorar. Aquela foi a primeira vez… Eu só estava chateado. O seu trabalho sempre está em primeiro lugar, e você nunca tem espaço pra mim. — Há uma nuvem cinza de arrependimento em seu olhar, só não me comove o suficiente.

Homens são mentirosos, e eu não me deixaria ser levada por esse bastardo uma segunda vez.

Ergo uma sobrancelha, impressionada. Jhony não poderia ter aparecido à minha porta em uma hora pior. Minha cabeça está tão cheia, fervilhando de pensamentos atrapalhados.

— É verdade, meu trabalho está em primeiro lugar, assim como o seu está pra você. Afinal, não usar aliança foi algo que você me confessou fazer para não prejudicar suas ações na empresa. — Viro o rosto, esfregando a testa. — Agora não é o melhor momento para termos essa conversa.

— Você me humilhou. Há rumores por toda a cidade sobre vocês. Vocês fodem debaixo do meu nariz há quanto tempo? — As palavras saem arrastadas devido à embriaguez.

Sua acusação me deixa nervosa. Por que ele está agindo como se fosse a vítima aqui? Desde que começamos a nos relacionar, ele demonstrava ciúmes de Thom. Eu sabia disso, mas meu melhor amigo nunca atravessou nenhuma linha ou falou sobre as qualidades que Jhony não tinha para que eu pudesse deixá-lo. Ele nunca ficou no meu caminho, e não é justo que essa acusação recaia sobre nós.

— Eu conheço Thomas há mais tempo que você, e ele sempre foi um homem respeitoso comigo. Somos amigos desde da faculdade — defendo-me.

— Você deve ser mesmo uma idiota por não enxergar o quanto ele te quer na cama dele, então. — A voz dele denuncia a sua irritação.

— Eu devo lembrá-lo sobre a mulher na sua mesa, e você com o pau dentro dela enquanto ela gemia? — cuspo as palavras de volta.

Ele passa as mãos pelos cabelos, e eu o encaro, observando sua expressão cansada e os olhos vagos, perdidos. Jhony continua sendo um homem bonito, mas eu já não entendo o que havia nele que um dia despertou algum tipo de atração em mim.

— Eu entraria na frente de uma bala por você — exaspera, como se fosse algo realmente relevante, ou verdadeiro. Como se essa admissão de um gesto tão nobre fosse me impressionar e me deixar derretida.

— Poderia ser eu atirando essa bala. Vamos ser honestos, ok? Esse casamento não era sobre uma linda e grande história de amor. Nossos pais decidiram que seria ótimo expandir seus negócios um pouco mais através de uma aliança. — Eu o fito por quase um minuto antes de continuar. — Não minta dizendo que você me amava ou algo clichê desse tipo. Você nem se importa em me ver de verdade, Jhony.

— Eu vejo você. — Dá um novo passo em minha direção, e eu dou outro para trás.

— Não, você não vê. Você não faz ideia de quais seriam meus planos porque nunca perguntou. Você sequer me vê ao seu lado como algo além de um chaveiro que, um dia, poderia carregar e apresentar aos seus amigos: "Ei, esta é minha esposa." Eu sou um rosto bonito, sei disso, mas não é assim que eu imagino viver uma vida. E as traições? Esta é a primeira, mas as próximas virão. Em algum momento, iríamos começar a brigar porque você iria querer que eu parasse o meu trabalho para estar disponível pra você. Tive essa sensação quando falamos no ateliê. Eu nunca poderia deixar de fazer os meus desenhos, porque eles são quem eu sou. Se você quer uma esposa que ficará em casa e te esperará sobre seus lençóis para dar uma trepada e te ajudar a fugir do seu dia horrível, essa não serei eu, porque não vou me esconder atrás de um homem.

Jhony percebe que não vai me alcançar, que suas desculpas e palavras já não fazem efeito sobre mim.

Thomas me disse algo que preciso levar a sério: eu não posso mais viver agradando a todos. Aceitei me casar pelo meu pai, e aceitei o pouco que meu ex-noivo traidor me oferecia porque acreditava que era tudo o que ele podia dar. Mas eu mereço mais. Mereço ser notada por alguém em uma sala cheia. Mereço ser colocada em primeiro lugar. Mereço ser vista e ter as minhas vontades respeitadas.

— Eu gosto de você.

— Não há, dentro de mim, algum sentimento por você. Paixão ou amor. Olhar pra você não me faz sentir nada além de desprezo.

Ele abaixa a cabeça, rindo e bufando ao mesmo tempo, voltando à expressão que vi quando abri a porta. Eu me encolho um pouco.

Seus olhos vagueiam pelo meu apartamento. Eu vejo o teste perto da pia e me apresso para escondê-lo. Mas é um pouco tarde. Jhony já o viu. Me impressiona que ele não tenha percebido antes, porque estava praticamente ao seu lado.

Meu ex fica pálido e me encara com a mandíbula travada. Não sei o que está pensando, mas tenho certeza de que não é algo bom. Eu não planejava essa conversa, porque acabei de descobrir. Contaria a ele quando estivesse sóbrio. Diria que não vamos mais ficar juntos, mas que temos um laço para a vida inteira e que um filho não poderia ser colocado entre nós.

O que eu vejo no rosto de Jhony não é compreensão. É raiva pura. Muita raiva. Ele está banhado em um ódio capaz de me arrastar para dentro das suas íris azuis.

— Que merda é isso, Cassie? — Seu tom exaltado me assusta.

— Eu falaria com você em outra oportunidade, Jhony. Eu não queria que você visse.

Minhas palavras saem em uma grande confusão, e eu volto a tremer como antes. O desespero corrói meu peito. Minha respiração se torna superficial, e um suor frio brota na parte de trás do meu pescoço.

Volto a querer chorar, deixando a mulher forte que enfrentou Jhony dar lugar a uma mulher fragilizada, com medo de ser esmagada pelas consequências de ter ido para a cama de um homem em quem confiou cegamente.

— Não é meu. Você sabe que não… — Ele aponta o dedo para mim. — Você disse que usava anticoncepcional. Ou você mentiu sobre isso?

Balanço a cabeça.

— Óbvio que não menti. Só aconteceu. — Engulo a bola de saliva presa na garganta.

Eu não sei por que ainda esperava que ele fosse homem o suficiente para assumir suas responsabilidades.

— Você fodeu com alguém, porque eu nunca estive em você sem camisinha.

Ele avança rapidamente, mal processo a sua aproximação. E, sem que eu tenha tempo para reagir, pressiona meus cotovelos com força e começa a me sacudir.

— Jhony, para — peço, soando desesperada.

— Quem é o pai, Cassie?

Não consigo funcionar sob pressão. Minha mente simplesmente desliga. Quero ter uma boa resposta na ponta da língua, mas estou presa na minha bolha confusa. O teste escorrega da minha mão, e ele me sacode outra vez, exigindo uma resposta. Tento me soltar, cravando as unhas em sua camisa.

A porta do meu apartamento continua aberta. Ouço passos vindos dela. Passos rápidos e apressados.

— Não vai me dizer? Você me deve isso. Você engravidou de outro… Quem é o pai do bastardo que possivelmente está na sua barriga?

Olho para o chão, e uma sombra cresce sobre nós.

— É meu. Ela está grávida de mim. Eu sou o pai.

Só consigo sentir o impacto de Jhony me soltando quando algo atinge suas costas. Ele me larga com um baque forte, e preciso me equilibrar, apoiando as mãos nos joelhos para não cair.

Ergo os olhos para Thom. Ele está segurando o taco de hóquei, e a mochila de treino está aos seus pés.

— Toque nela de novo e eu vou quebrar cada osso do seu corpo — ele direciona uma ameaça para meu ex.

Tremo tanto que preciso apoiar as costas na ilha. Eu vou desmaiar desta vez. Tenho quase certeza disso.

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Fim da Amostra Gratuita

O que Thomas vai fazer agora?

"É meu. Ela está grávida de mim." — Uma mentira que pode mudar tudo. Continue para descobrir o que vem depois.

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