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Série Tentações do Gelo · Livro 01

Jogando Contra as Regras

Por Kely Medina

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Kely Medina Jogando Contra as Regras --:--

Capítulo Um

Mia Tenley

Asher & Mia

Rolo na cama ao ouvir um toque insistente pelo quarto. Minha consciência retorna com flashs.

Merda.

Eu deveria ter ido embora antes do amanhecer.

Ergo o corpo devagar, ainda nua e enrolada no lençol. Meu celular não para de vibrar com o som de chamadas consecutivas. Encontro o aparelho caído no chão, ao lado do meu vestido da noite passada.

Coloco-me em pé, presa ao lençol e olho as horas: quase nove. Sinto o estômago afundar ao ver o nome da minha chefe na tela.

Minha única reação é deixar a chamada cair na caixa postal. Eu não conseguiria atendê-la agora. Não quando minha prioridade é encontrar um jeito de sair desse quarto de hotel o mais rápido possível.

A cama estava confortável demais, ou eu só estava exausta o suficiente para esquecer todas as minhas próprias regras.

Talvez ele nem se lembre de mim se me encontrar na rua. Sem maquiagem, eu sou completamente diferente da mulher da noite passada.

A cama está vazia, e o som do chuveiro ecoando pela suíte me diz exatamente onde Asher está. Tomando banho.

Rolo a tela do meu celular, revelando uma sequência quase desesperada de mensagens da minha chefe. Vivian nunca manda mensagens em excesso sem motivo, então isso, por si só, já é um péssimo sinal.

Estou acostumada com ela me arrastando para algum trabalho extra, cobrindo eventos de última hora ou apagando incêndios que ninguém mais quer resolver. Jornalismo nunca respeitou horário comercial.

O que mais me chama atenção está abaixo das mensagens dela: um link de um site conhecido por escândalos envolvendo celebridades. Meu peito se aperta enquanto abro a matéria e, no segundo seguinte, tudo o que aconteceu na noite anterior retorna à minha mente.

Fotos minhas e de Asher no bar.

Na imagem, não estamos tão próximos, só sorrindo um para o outro, e quem registrou soube exatamente qual ângulo usar para transformar aquilo em algo íntimo.

Fecho os olhos, com um suspiro dramático, e os abro novamente.

A legenda piora tudo.

"Jogador dos Crimson aparece ao lado da suposta namorada pela primeira vez."

Suposta namorada?

Eu não estava namorando ninguém. Céus.

Nós só estávamos conversando. Eu fui cuidadosa. Mantive uma distância socialmente segura dele a noite inteira… ou, pelo menos, achei que tivesse mantido.

A dúvida me corrói com força.

Eu simplesmente esqueci como a mídia funciona? Como eles adoram transformar qualquer aproximação em um escândalo conveniente? Uma boa fofoca sempre rende mais do que a verdade.

Pressiono os dedos contra a testa.

Eu estava tão desesperada por uma noite de sexo sem compromisso, tão cansada dos meus próprios problemas, que ignorei o detalhe mais importante de todos: Asher Blackwell não era um homem comum. Ele era famoso demais para que qualquer mulher ao lado dele passasse despercebida.

Digito rápido para Vivian: "Eu posso explicar…"

Posso mesmo?

Como exatamente eu explicaria que fui enviada para cobrir um evento importante e terminei a noite dormindo com um jogador de hóquei?

A porta da suíte se abre atrás de mim.

Asher surge, usando uma toalha branca na cintura, os cabelos molhados e uma expressão irritantemente tranquila.

Ele parece ainda maior com o abdômen exposto. Despretensioso. Ridiculamente bonito.

E minhas lembranças voltam de uma vez só.

Nós dois naquela cama.

Contra a bancada.

Na banheira. Debaixo do chuveiro.

Sobre a mesa de centro.

No sofá.

Praticamente profanamos esse quarto com sexo e impulsividade. E era exatamente para isso que a noite passada tinha servido: nenhuma promessa, nenhum sentimento, nenhuma expectativa. Só um encontro casual entre duas pessoas que não queriam nada além depois.

Então por que meu coração está batendo tão rápido?

Minha garganta seca. Os pelos dos meus braços se arrepiam ao vê-lo se aproximar.

O que há de errado comigo? Já fiz isso outras vezes, sexo sem compromisso, e não tinha essas reações tão involuntárias por uma simples aproximação.

Preciso sair daqui.

— Bom dia. Imagino que já tenha visto as notícias.

Continuo enrolada no lençol, mas minhas pernas estão estranhamente bambas.

— O assunto vai morrer em alguns dias — respondo no automático, recorrendo ao lado racional moldado pelos anos no jornalismo.

Estou nervosa, claro. Qualquer pessoa estaria. Mas não posso permitir que isso transpareça, muito menos deixar que minhas emoções assumam o controle da situação.

Asher se vira para pegar o celular sobre a bancada, e meu olhar traiçoeiramente acompanha suas costas largas.

— Acho que favoreceram bastante o nosso ângulo — ele diz, divertido.

Franzo a testa. Ele não está levando essa merda a sério?

— Você está muito tranquilo para alguém que nunca deu margem para esse tipo de especulação — rebato, a irritação escapando em meu tom. — Deixa eu esclarecer uma coisa pra você: nós fomos fotografados juntos e transformaram isso em uma manchete absurda, como se eu fosse realmente sua namorada. O que claramente é um engano, considerando que nós nos conhecemos literalmente ontem à noite.

— E eu estou tranquilo — afirma sem dificuldade. — Quer sentar um pouco para conversarmos?

Balanço a cabeça, tentando encontrar qualquer solução minimamente aceitável e uma ideia surge de repente na minha mente.

— Eu posso publicar uma nota esclarecendo que tudo isso foi um mal-entendido — sugiro rapidamente, me agarrando à possibilidade.

— Na verdade… — Asher apoia o celular na bancada e me encara —, eu quero que você finja ser minha namorada.

Ele está maluco?! Que tipo de sugestão sem fundamento é essa? A gente nem se conhece, pelo amor de Deus!

Dou uma risada nervosa. Minhas mãos estão tremendo.

Tudo está sob controle. Não surta, Mia.

Relacionamentos nunca foram a minha praia. Na realidade, eu sequer namorei alguma vez na vida. Não gosto de pessoas ocupando meu espaço, e talvez isso explique por que, aos vinte e cinco anos, eu não tenha amigas realmente próximas nem qualquer talento para manter relações duradouras.

Claro que, em algum momento da vida, eu pensei nessas coisas. Pensei em conhecer alguém de verdade, casar, construir uma família, envelhecer ao lado dele e viver todos aqueles clichês românticos que as pessoas insistem em vender como felicidade absoluta. Mas minha visão sobre relacionamentos mudou completamente depois de ver meu pai destruir nossa família com uma traição.

Relacionamentos são perigosos. É assim que eu os defino.

Eu gosto da minha rotina. Das minhas regras. Da minha própria companhia. Tudo na minha vida funciona exatamente igual porque permanece sob controle, porque ninguém entra o suficiente para bagunçar as coisas.

É por isso que prefiro encontros casuais. Uma noite, nunca duas, e nada além disso.

Sem mensagens insistentes na manhã seguinte. Sem cobranças emocionais. Sem dividir espaço, tempo ou sentimentos com ninguém. Meus encontros com homens sempre funcionaram dessa forma: simples, superficiais e fáceis de abandonar.

E Asher não deveria ser diferente. Ele é um jogador profissional. Rico, bonito e absurdamente desejado. Existe mulheres mais interessantes e experientes do que eu se jogando aos pés dele. Eu não deveria ser a sua escolha.

— Fingir ser sua namorada? — repito devagar, tentando respirar normalmente.

— Esposa, na verdade.

Meu cérebro simplesmente para por alguns segundos.

— O quê?

Asher cruza os braços.

— Eles já criaram uma narrativa. O capitão do time que finalmente se apaixonou. Eu sei que o que vou te pedir parece uma loucura completa. Garanto que tem uma explicação — diz, com segurança. — Mas eu preciso que você entre nessa história comigo… e finja ser o que eles pensam ser.

Ok. Quanto mais eu ouço, mais estranho fica.

— Você não pode simplesmente pedir para uma mulher fingir um casamento depois de transar com ela.

Jogadores como ele provavelmente estão acostumados a conseguir qualquer coisa que querem. Mulheres. Atenção. Desejo. Mas esse pedido? É um absurdo.

Asher se aproxima mais, perto o suficiente para que eu sinta o cheiro fresco do sabonete e veja as gotas de água ainda descendo pelo seu pescoço.

— Minha chefe provavelmente quer me demitir nesse exato momento. — Aponto para mim mesma, incrédula. — Eu não posso ficar aqui brincando de casamento fictício com você.

Afasto-me, encontro meu vestido no chão e começo a me vestir rapidamente.

— O que me diz de um ano comigo… e dois milhões depositados na sua conta?

Fico completamente estática, pendurada sobre o valor.

Dois milhões.

Ele estava mesmo disposto a pagar tudo isso? E eu estaria disposta a me sacrificar por esse valor?

Levanto o olhar devagar até ele. Asher continua parado à minha frente, absurdamente tranquilo enquanto destrói qualquer capacidade racional que ainda me resta.

— Seria temporário — insiste. — Aparições públicas, alguns eventos, entrevistas… depois nos separamos discretamente e cada um segue a própria vida.

Balanço a cabeça, negando.

— Como você consegue pedir para uma desconhecida fingir ser sua esposa? Nós mal nos conhecemos. Não é possível que seus neurônios estejam funcionando normalmente.

Asher pega o celular da minha mão, o aparelho está desbloqueado facilitando a invasão dele.

— Ei! Esse celular é meu. Me devolve — grito.

— Vou salvar meu número — responde, sem se apressar. — Pensa na minha proposta. Se mudar de ideia, me liga.

Bufo, irritada, e ele me devolve o aparelho. Encaro a tela, completamente atordoada.

Um jogador extremamente rico acabou de me oferecer dois milhões para fingir ser sua esposa durante um ano inteiro. E eu ainda estou pensando em cogitar sobre?

O que esse dinheiro mudaria na minha vida? Eu não preciso dele. Pago minhas contas, tenho um trabalho. Claro, é uma quantia absurda, dinheiro suficiente para mudar completamente a vida de alguém, mas eu não me vejo como uma mulher ambiciosa a ponto de aceitar um acordo desses só pelo valor envolvido.

Um casamento deveria começar da maneira certa. Duas pessoas se gostam, decidem ficar juntas e constroem algo real. E existe outro ponto ainda mais forte: eu não acredito mais em relacionamentos. Não quero um anel no meu dedo, nem alguém dividindo meu espaço para depois me decepcionar.

Meus pensamentos acabam indo para um segundo ponto. Porque, quando imagino o que faria com dois milhões de dólares, não penso em viagens, roupas caras ou uma cobertura luxuosa. Eu penso no abrigo de Mara. Penso em todos os animais como Lilo, abandonados, rejeitados, esquecidos. Penso em como esse dinheiro poderia manter o lugar de pé, dar comida, remédios, segurança.

E é aí que a balança pesa sobre os meus valores.

— Me ligue, Mia. Estarei esperando por você — ele diz, mantendo os olhos presos nos meus.

Existem tantas camadas no olhar de Asher. Ele é um homem misterioso, alguém que claramente esconde alguma coisa. Há muito além do cara bonito trocando flertes comigo para me levar para a cama. Por que ele precisaria de uma esposa falsa? E por que não contratar alguém profissional para isso? Tenho perguntas demais e respostas de menos.

Meu celular ainda está na minha mão e começa a vibrar sem parar. Minha chefe está me ligando de novo. Vivian provavelmente quer me demitir depois dessa demonstração ridícula de falta de profissionalismo. Eu levei a palavra dela sobre me divertir ao pé da letra.

— Tenho outros problemas pra lidar agora, capitão. Não tenho tempo pra brincar de esposa falsa. — Volto a me vestir às pressas.

Posso passar em casa, tomar um banho, trocar de roupa e seguir direto para a casa da minha chefe. Melhor explicar pessoalmente.

Pego minha bolsa e os saltos, caminhando até a porta como um completo desastre, mas ainda escuto, atrás de mim, a voz que durante a noite sussurrava mil indecências no meu ouvido:

— Eu realmente vou esperar por você.

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Fim da Amostra Gratuita

O que Asher está escondendo?

"Eu realmente vou esperar por você." — e você vai querer saber o que acontece depois.

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